Ontem eu falei um pouco sobre a Mostra Brasil 7, mas dei mais ênfase ao filme Eu não quero voltar sozinho. Esse post de hoje vai falar um pouco mais sobre a mostra como um todo.
Entre as boas surpresas estão, além do já comentado filme de Daniel Ribeiro, os filmes Ao anoitecer, o bosque já murmura e Azul.
O primeiro filme foi feito baseado em uma carta encontrada em um lixo de Paris, como a diretora anuncia na abertura. A tal carta é lida em francês por um homem e as imagens complementam o seu significado através de sequências que parecem tiradas da memória. A sensibilidade da diretora Eva Randolph dá ao filme uma nova dimensão, transformando-o em poesia na linguagem cinematográfica.
E nada mais reclamo surpreende por não passar de uma coletânea de tomadas do dia-a-dia de algum lugar, provavelmente do litoral alagoano. Não constrói-se, portanto, uma narrativa. As belas imagens não se sustentam sem a presença de um fio condutor para a obra.
Uma narrativa alinear que nos deixa com a sensação de "será que eu entendi?". Essa é a melhor definição para o que seu senti ao final de Azul. Se tiver entendido corretamente, o filme discute a relação mãe-filho e a preocupação dessa mãe em fazê-lo parecer carinhoso, o que ele não é. É o símbolo maior da preocupação dos diretores com a imagem, deixando um pouco de lado a história, a parte literária do cinema.
Na contramão do restante do festival, o diretor da história de amor Eu não quero voltar sozinho concentra esforços na construção de um roteiro bem estruturado com diálogos engraçados, de uma maneira muito masculina. A delicadeza na direção mostra o lado sensível dos machões. Você pode ler mais sobre esse curta clicando aqui.
Minha amiga me disse um dia que "Tudo faz sentido se a alma não é pequena". Sendo assim, ou eu tenho a alma pequena, ou eu não ter assistido aos dois filmes anteriores fez toda a diferença na hora de assistir a Haruo Ohara. Apesar de muito bem fotografado, eu não consegui entender praticamente nada dessa fita. Talvez seja um pouco culpa do momento que o filme anterior proporcionou, que fez com que nos desligássemos e não gastássemos energia tentando desvendar os mistérios de um filme extremamente conceitual.Tão difícil que foi complicado para quem assistia entender a hora em que o filme havia terminado.
Dos filmes que se propuseram a ficar no silêncio, com pouco ou nenhum diálogo, O Som do Tempo foi o que melhor disse o que queria. Através da sonoplastia, o espectador conseguiu visualizar a transformação dos arredores da casa da senhora. No meio de vários filmes que queriam levar a linguagem cinematográfica a outro nível, esse é o mais bem sucedido.
Os filmes não se preocuparam em mostrar histórias, mas em retratar os sentidos através da linguagem audiovisual. A parte literária do cinema -- exceto em Eu Não Quero Voltar Sozinho -- é deixada de lado: diálogos e a estruturação das narrativas desaparecem em meio a uma coleção de belas imagens e áudio impecável, como na trilha de Dalva de Oliveira escolhida em um dos filmes.
Filmes de qualidade ímpar, mas que carecem de histórias que os justifiquem.
- Atualização: eu não fui o único a ter essas opiniões. O colaborador do Uol, disse que os aplausos para os filmes (Eu não quero voltar sozinho é de novo exceção) foram protocolares, ou seja, apenas por parte do protocolo, educação. http://cinema.uol.com.br/ultnot/2010/08/22/festival-de-curtas-mostra-os-futuros-grandes-nomes-do-cinema.jhtm


10:42
Wellington Rafael
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