Este texto contém spoilers, ou seja, revela características e passagens do filme que você talvez não queira saber antes de ir ao cinema. Nada exagerado, mas pode acabar com algumas surpresas interessantes. Não me culpe se você o ler e isso acontecer.

Dirigido por Danny Boyle (ganhador do Oscar por Quem quer ser um milionário?), conta a história do aventureiro Aron Ralston (James Franco de Milk – a voz da igualdade), que fica com o braço preso em uma rocha por 5 dias. É exatamente esse período que é retratado, desde o momento da queda até o seu resgate, após cortar o braço fora com um canivete cego.
Gostei bastante da fotografia, que se aproveita do ambiente ensolarado em que a história se passa. Os momentos em que a personagem conversa com a câmera que havia levado na bagagem são especialmente interessantes, rendendo a melhor cena do filme (um talk-show em que ele é o entrevistado e o entrevistador).
A película tem uma estrutura narrativa que lembra o filme anterior do diretor, fazendo digressões sustentadas pela memória e pelos delírios de Aron e expandindo o cenário do filme para o interior do aventureiro. Os flashbacks poderiam ser utilizados para caracterizá-lo melhor, mas acrescentam muito pouco à sua descrição.
A verdade é que o grande trunfo do filme e o maior motivo para levar o público aos cinemas é a cena da retirada do braço. O diretor conhece esse fato e, por isso, brinca com o espectador, dando falsas evidências de que a cena finalmente vai acontecer, mas adiando-a para o final. O roteiro é muito inteligente, exatamente por trazer esse tipo de surpresas.
A tão falada cena, aliás, é bem sangrenta, mais longa do que o necessário, talvez para não decepcionar quem foi atraído justamente por ela. A duração e a maneira como a amputação é mostrada podem mesmo causar náuseas e até fazer com que os mais sensíveis desmaiem.
O clima claustrofóbico poderia ter sido trabalhado de uma maneira mais eficiente, mas esse não parece ser o objetivo do diretor.
Há ainda alguns pontos nebulosos, como a aparente calma de Aron, a ausência de dor e a falta de um telefone celular (mesmo sem sinal, você tentaria dar uma olhada, não?).
De uma maneira geral o filme é muito bom. Roteiro interessante, um ótimo ator que aguentou bem esse quase monólogo, efeitos especiais bem utilizados, ótima montagem. Dos concorrentes ao Oscar, me parece que ele e A Origem são os únicos que trazem um certo frescor. Admito que chorei nas últimas cenas.
Um texto grande para dizer o seguinte: vale o dinheiro da entrada e de um pacote jumbo de pipoca (mas se eu eu fosse você, passaria o ápice do filme de barriga vazia).
Trailer: