Assistir a Cisne Negro em tela grande e sala cheia é uma experiência completamente diferente. Prova de que o download de filmes não substitui o prazer real de ver cinema. O fato de já conhecer a história, as cenas, os pontos-chave do filme também me ajudou a saber o momento exato em que eu deveria parar de reparar no filme e prestar atenção nos espectadores.
A reação do público confirma o que a crítica especializada já divulgou: pode ser que atraia muitas mulheres, mas esse não é o seu público (quatro senhoras saíram da sala no meio da película). Engana-se, portanto, quem imagina que essa é uma história sobre balé ou sobre uma bailarina. Na verdade, o diretor Darren Aronofsky nos carega lentamente para dentro da personagem, de maneira que nós passamos a viver como a própria Nina, sofrendo, nos assustando e nos surpreendendo com as pegadinhas que sua própria mente faz. Exemplo disso é a sequência do camarim, durante a apresentação do balé.
A repulsa feminina talvez se dê pelo tom imparcial que o diretor dá ao filme. Nina não é posta como uma pobrezinha e não encontramos verdadeiros vilãos. Os problemas psicológicos da protagonista, brilhantemente interpretada por Natalie Portman, que deve levar o Oscar, são anteriores a ser escolhida para dançar a Rainha Cisne, protagonista de O Lago dos Cisnes. Percebe-se pelas marcas de arranhões* nas costas. O diretor da companhia cobra a frágil bailarina da mesma maneira que cobraria se fosse outra em seu lugar. Lily, a dançarina que Nina acredita querer roubar seu lugar, tenta se aproximar dela e até se tornar sua amiga. Enfim, as personagens e as situações são ambíguas justamente para demonstrar a confusão psicológica da personagem.
Na verdade, tudo isso eu já havia percebido da primeira vez que assisti ao filme e revê-lo apenas reafirmou essas opiniões. O que fica mais evidente na tela gigante é a transformação física de Nina no cisne negro. Nesse ponto, concordo com o que Luiz Zamin Oricchio disse ontem no Estadão, que é um exagero desnecessário. O diretor poderia ter deixado nas entrelinhas. Exceto a cena da transformação no palco, os outros momentos que mostram uma transformação física são completamente desnecessários.
Pontos negativos à parte, Cisne Negro é a representação de como a temporada – que parecia estar fraca – surpreendeu de última hora e tornou a corrida para os Academy Awards extremamente acirrada. Junto ao filme de Aronofsky, também são concorrentes dignos O Discurso do Rei, A Rede Social, A Origem, Toy Story 3 e 127 Horas. (Veja todos os indicados)
*nas legendas, a tradução de “scratch” escolhida foi “coçar”, quando a mais apropriada seria “arranhar”.
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17:05
Wellington Rafael
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