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24.4.11

Regras de ser adulto

 Estou no interior. Eu, minha mãe, minha mãe, minha avó, minha tia e meu primo de 10 anos. Estranho observar a rotina de uma criança. Bateu saudade de uns 9 anos atrás. O quintal da casa da minha avó, parecia gigantesco, minha prima e eu inventávamos brincadeiras nossas, adaptávamos outras para brincarmos só os dois. Se não tinha ninguém por perto, eu inventava meus próprios jogos, em que eu jogava contra o mundo todo, do tipo: se passarem três velhinhas de roxo nos próximos 60 segundos, eu perco.
 Parece que minha ficha finalmente caiu. Aquele papo de “aproveitar a infância”—que toda criança odeia – está começando a fazer sentido para mim. Era tudo tão mais fácil: brincar sem me preocupar com quem eu sou, quem eu vou me tornar, o que eu vou fazer amanhã, daqui a uma semana, um mês...
 Quando você é criança, você vai brincando e inventando as próprias regras. Vamos brincar de ladrão e polícia? Vamos! Eu sou o ladrão. Te peguei. Não pegou não, eu tenho um escudo que não deixa ninguém chegar perto de mim. Ah é, eu tenho uma super-lança destruidora de escudos... Era tão divertido, exceto quando aparecia uma criança chata que reclamava: AH, ISSO NÃO VALE! AH, ESSA REGRA NÃO EXISTE, MIMIMI.
 A vida de adulto já tem as regras prontas e você não pode mudar, porque todo adulto é uma criança pé-no-saco, que reclama quando você tenta inventar suas próprias regras.  E nem adianta fazer birra. A adulteza não deixa espaço para criatividade. Adultos são chatos.
 Pena que a minha adultescência chegou. É hora de seguir as regras, não mais fabricá-las de acordo com a minha vontade. Acho que não dá mais, mas se eu tiver tempo para inventar só mais uma regra, ela vai ser: é proibido virar gente grande.

23.4.11

Nos puxa pela mão e nos joga na roda

 Quem ainda não leu ‘Ciranda de Pedra’ não tem a mínima ideia do que está perdendo. Lygia Fagundes Telles consegue compor um romance único, que alia profundidade emocional e fluência narrativa.
 Trata-se da história de seis jovens: as irmãs Otávia, Bruna e Virgínia, os vizinhos Conrado e Letícia e o amigo Afonso. Virgínia, a mais nova, por morar com a mãe – que se separara do pai e, por isso, é julgada pelos parentes – sente-se deixada de fora da roda que os outros fazem para levar a vida. A trama se desenvolve a partir dos conflitos psicológicos e sociais de Virgínia com as pessoas ao seu redor.
 A instabilidade quando menina, a necessidade de atenção e de fazer parte da roda quando maior, tudo é narrado com tal precisão que chega a fazer com que o leitor se espante.
 ‘Ciranda de Pedra’ é, sem sombra de dúvidas, uma obra-prima da Literatura nacional e, me desculpem os maiores fãs, supera algumas das melhores obras da grande Clarice Lispector.

22.4.11

Epistemologia Metapórica

“Que livro é este que você está lendo?”
“Chama-se ‘O princípio da razão durante – Nova teoria da comunicação e a epistemologia metapórica’”
“Ah, sim! A epistemologia metapórica. Deve ser interessante esse livro.”
”É. Talvez...”
“Como assim ‘talvez’? Um tema tão instigante e você faz pouco caso?”
“Não é que eu esteja fazendo pouco caso, é que...”
“Que absurdo! Você tem noção de quantos jovens gostariam de estar na sua vaga da faculdade, lendo sobre a metapórica?”
“Tenho sim. Até porque não foi fácil entrar, mas ...”
“Não tem ‘mas’. Você só me envergonha.”
“Ok, me desculpe. Aproveitando que você se interessa tanto pelo assunto, será que você poderia me explicar o que é a tal da ‘epistemologia metapórica’?”
“Bem, é que...”

21.4.11

Apertadinha

 A igreja de Nossa Senhora do Paraíso fica na Vila Mariana, quase do lado da estação Paraíso do metrô. Descobri isso esses dias. Voltando do trabalho, dentro do ônibus vi a construção ali apertadinha entre dois prédios.
 A igrejinha é muito bonita. Merecia mais atenção. Eu mesmo só notei que ela existia depois de passar em frente umas duas ou três vezes. Ali, espremida entre dois prédios, perdida no labirinto de arranha-céus que é a região da paulista. Acho que, no final das contas, a situação dela é a de todos nós, os paulistanos.
 Quem pega metrô na Sé sabe bem o que eu estou dizendo. Não tem como não se sentir pequeno no meio daquela multidão suada que se empurra para entrar/sair do vagão.
 Não tem como não se sentir pequeno ao andar pelo centro da cidade e cruzar com a galera da crackland. Não tem como não se sentir pequeno ao olhar os mendigos imundos deitados no chão próximos ao terminal Lapa.
 No fim das contas, a cidade é uma mar de igrejinhas. São 20 milhões de igrejinhas, todas espremidas umas nas outras.
 O paulistano é pequeno. Menor do que os habitantes de outras cidades, porque a cidade é grande demais. As belezas são grandes demais e, principalmente, as feiúras da cidade são grandes demais.
 São Paulo é maior do que a gente pode imaginar. 

1.4.11

Orgulho próprio

 
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