Estou no interior. Eu, minha mãe, minha mãe, minha avó, minha tia e meu primo de 10 anos. Estranho observar a rotina de uma criança. Bateu saudade de uns 9 anos atrás. O quintal da casa da minha avó, parecia gigantesco, minha prima e eu inventávamos brincadeiras nossas, adaptávamos outras para brincarmos só os dois. Se não tinha ninguém por perto, eu inventava meus próprios jogos, em que eu jogava contra o mundo todo, do tipo: se passarem três velhinhas de roxo nos próximos 60 segundos, eu perco.
Parece que minha ficha finalmente caiu. Aquele papo de “aproveitar a infância”—que toda criança odeia – está começando a fazer sentido para mim. Era tudo tão mais fácil: brincar sem me preocupar com quem eu sou, quem eu vou me tornar, o que eu vou fazer amanhã, daqui a uma semana, um mês...
Quando você é criança, você vai brincando e inventando as próprias regras. Vamos brincar de ladrão e polícia? Vamos! Eu sou o ladrão. Te peguei. Não pegou não, eu tenho um escudo que não deixa ninguém chegar perto de mim. Ah é, eu tenho uma super-lança destruidora de escudos... Era tão divertido, exceto quando aparecia uma criança chata que reclamava: AH, ISSO NÃO VALE! AH, ESSA REGRA NÃO EXISTE, MIMIMI.
A vida de adulto já tem as regras prontas e você não pode mudar, porque todo adulto é uma criança pé-no-saco, que reclama quando você tenta inventar suas próprias regras. E nem adianta fazer birra. A adulteza não deixa espaço para criatividade. Adultos são chatos.
Pena que a minha adultescência chegou. É hora de seguir as regras, não mais fabricá-las de acordo com a minha vontade. Acho que não dá mais, mas se eu tiver tempo para inventar só mais uma regra, ela vai ser: é proibido virar gente grande.


10:00
Wellington Rafael