Esses dias, voltando para casa com meu amigo Wellington, um grupo de seis meninos sujos e mal vestidos começou a nos seguir bem de perto e, desatentos como somos, só percebemos algo estranho quando um carro da polícia parou ao lado da calçada e disse algo para os garotos que então seguiram andando em outra direção.
Será então que se esses mesmos meninos estivessem limpos e de gravata o carro da polícia teria parado? Provavelmente não.
Vale inclusive questionar se eles iam mesmo fazer algo contra nós ou se eles foram erroneamente julgados por nós e pela polícia, estavam apenas de passagem.
Preconceito e alienação fazem com que a gente se engane e ambos infiltram nossa mente através da mídia, do senso comum e da falta do pensamento crítico.
Comprar por causa de uma marca, tomar como verdade o Big Brother Brasil e acreditar piamente no que o cara do Jornal das 8 diz, também se encaixam em alienação.
Resumindo, as aparências não enganam, nós nos deixamos enganar.
No entanto nunca vamos saber se aqueles meninos eram na verdade cidadãos decentes e simplesmente não deram sorte na questão financeira.
Cabe a nós analizar o contexto, checar os fatos, recorrer à experiência própria e à alheia para concluir algo sensato sem julgamentos.
Houve um caso nos Estados Unidos de um prisioneiro que, vestido formalmente para sua audiência, foi confundido com um advogado qualquer e conseguiu fugir da prisão. Dois estereótipos: advogado sempre se veste bem; prisioneiro sempre se veste mal.
Sorte dos que quebram os dogmas da sociedade, não?
Andam dizendo que aqui você é o que você veste.*
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13:54
Wellington Rafael

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2 comentários:
E outra... não precisa ir mto além viu já que os maiores ladrões e dissimulados estão mto bem vestidos na capital do país, sentadinhos em poltronas de couro.
Muito bem lembrado, Roberta, como vamos cobrar punição para os ladrões de quitanda se somos governados por ladrões ainda maiores?
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