Estava eu sentado na secretaria da minha escola de inglês quando entra uma perua. Dois litros de botox na cara e um orgulho que o nariz empinado mal consegue sustentar. A Perua se vira para a moça da recepção e diz:
- Vocês têm curso de mandarim?
- Temos professor e material, mas não tem gente interessada.
A Perua parou, pensou, falou:
- Meu pai me ligou para avisar que na ** tem curso de Mandarim. Meus sobrinhos estão fazendo lá na unidade do Alphaville.
A moça entrou na conversa, explicou a situação de que não havia como montar uma turma porque tinha pouca gente e tal. No fim das contas, ela foi pegar os dados da mulher:
- O curso é pra você?
- Não, é para minha filha.
Eis que surge de trás da bolsa da mulher uma menininha pequenininha, branquinha, magrinha, com cara de doente. Uns 9 anos de idade.
- Olha, o nosso material é para adulto. Ela é muito novinha para a gente colocar numa turma regular.
- Mas meus sobrinhos do Alphaville tão fazendo!
Acredito até que o rosto dela se moveu alguns milímetros mostrando o tamanho da indignação (ou a validade do botox).
Diálogos da vida moderna. A mulher fútil, um curso de mandarim e uma menininha que mal aprendeu a falar português.
E a Rosana Hermann dizendo que a vida da mulher é um colar de contar a pagar.
Só se for a conta da esticista, né?


17:33
Wellington Rafael
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