É engraçado comparar duas artistas tão diferentes. Embora as duas tenham nascido na Inglaterra, M.I.A. tem família oriental e foi criada no Sri Lanka. Lily Allen é uma típica londrina: branquinha, na moda, e por aí vai.
M.I.A. lançou na semana passada um videoclipe da música Born Free, repleta de referências a ícones pop de umas duas ou três décadas passadas e com uma crítica implícita a atuação norte americana no oriente médio.
Lily tem uma música na novela das 8. A canção fala sobre uma garota de quase 30 anos sem perspectivas de vida. Seu maior sucesso é sobre o prazer que ela sentia em ver o ex-namorado sofrer.
Parece cômico. A Docinho-de-coco-londrina parece amadora perto da rebelde política. A questão é o universo em que elas estão.
Enquanto uma parece totalmente alienada, a outra soa como embaixadora da paz no mundo. Nada a ver.
Lily faz música para retratar a sua realidade. Ela não tem soldados andando pela rua e matando pessoas inocentes. M.I.A. não dá a mínima para a futilidade das menininhas britânicas que sofrem de anorexia nervosa. Liga menos ainda para o partido conservador britânico explicitamente homofóbico.
De longe, os problemas do universo de M.I.A. parecem tão maiores, mas eles são tão pequenos quando nos deparamos com o mundo de Allen perto de nós. Vai me dizer que você liga para a invasão do Iraque quando pega seu namorado com a vizinha na cama?
O melhor de tudo é ver que o universo egoísta produz uma música de qualidade muito superior, com críticas ácidas à sociedade do mundo desenvolvido e trata de temas universais.
Mandar George Bush se foder não é tão impactante quanto filmar um corpo se despedaçando ou um menino levando um tiro na cabeça, mas faz muito mais sentido para o meu infinito particular.
Sun is in the sky, oh why would I want to be anywhere else?
Post levemente inspirado no blog do André Forastieri, o tiozão mais PoP da blogosfera.


23:10
Wellington Rafael
Posted in:
0 comentários:
Postar um comentário