Essa semana Lady Gaga lançou o videoclipe de seu novo single, Alejandro. Quase tudo o que eu poderia dizer sobre ela está escrito aqui e aqui. A única coisa que esses textos não falam sobre ela é que ela ressucitou o significado de POP. A arte de Lady Gaga é fruto do capitalismo e quer transgredir e ir na contramão de absolutamente tudo. É ofensiva até para os menos conservadores, à Madonna, Michael Jackson e Andy Warhol.
Lady Gaga é, na verdade, o personagem interpretado pela chatinha e antiquada Stefani Germanotta. Fruto de investimentos pesados da gravadora e de muita criatividade sua e de seus produtores.
Pronto. O essencial está dito. Falemos sobre Alejandro.
A música não tem absolutamente nada fora do padrão da artista, entretanto o clipe vai além das expectativas. Alejandro é comparável a Thriller.
Michael Jackson introduziu a onda de desenvolver os videoclipes como curtametragens. Existe uma historinha embalada pela música. Revolucionário para a época. Fantástico. Hoje em dia, esse tipo de vídeo é muito comum, graças a esse primeiro passo.
Lady Gaga trouxe à história do clipe uma nova dimensão. Ela recheou o curtametragem com referências históricas e provocativas. Tenho a impressão de que, por mais que eu assista, nunca conseguirei ver todos os símbolos escondidos. Vamos falar de alguns deles para o clipe fazer mais sentido, ok?
Gaga faz o papel de uma mulher perdidamente apaixonada por Alejandro e chega a ter um romance com ele. O amante, porém, é homossexual, o que – é claro – afeta o relacionamento. Há no clipe, uma inversão de papéis. Gaga é ativa nas cenas em que ela simula sexo com os amados (dá se a entender que ela também ama Fernando e Roberto, também gays). O clipe reverencia o poder de Gaga diante desses homens e o sofrimento que essa submissão lhe causa.
Não podendo mais suportar o modo como as coisas andam, Gaga se torna freira e os seus amados servem o exército. Aí começam às provocações às igrejas. Gaga engole um terço e, ao se mostrar deitada ao lado de Alejandro, dá a entender que eles tiveram uma relação sexual.
Há também um momento em que ela simula o estupro de uma freira. Um fato curioso é que Gaga é jogada pelos “soldados”, que se desejam com muito tesão do que desejam a freira.
Explicitei aqui só 1% do que está escondido no vídeo. O diretor Klein vai muito além e coloca provocações muito mais profundas. Cenas chocantes, como aquelas em que Lady Gaga faz sexo com os amados (repare que a simulação é sempre de sexo anal, geralmente com a cantora no papel ativo).
Impressionante, bizarro e provocativo. Ela conseguiu ir muito além dos limites há muito estabelecidos.


17:12
Wellington Rafael
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