Agora eu posso dizer que entendo o que é ser amado. Não que eu só tenha me tocado disso agora, mas acho que esse é o momento para deixar registrado. Fui amado por dois olhinhos quase verdes que ficavam me encarando sempre com a mesma expressão: um quê de interrogação e outro de algum tipo de sentimento que eu nunca entendi muito bem, talvez uma mistura de esperança, amizade, confiança. Acho que era amor.
Eu sei que eu fui amado, porque eu ouvia as patinhas batendo contra o piso sempre que o chamasse, não importa em que situação. Eu sei que eu fui amado, porque eu tive a companhia e o carinho quando eu não mereci e mesmo quando eu não queria. Eu sei que fui amado, porque eu tive alguém que sempre ouviu o que eu disse e nunca discordou de mim, alguém que me deixou sentir o gostinho de estar certo mesmo quando eu estava errado.
O amor que você recebe de um ser humano é um amor meio torto, o tipo de amor em que você pensa na felicidade futura, mesmo que a tristeza momentânea seja um dos passos para se chegar até ela. E nesse sentido o ser humano é burro, porque a felicidade que a gente tanto procura nunca vai ser alcançada. A gente sempre vai querer mais.
Aquele cachorrinho era diferente. Ele buscava ser feliz a todo momento. Mesmo quando algo dava errado, ele a deixava de lado e passava a viver feliz o próximo momento. Assim, de gotinha em gotinha, ele pode dizer que a sua vida, apesar de curta foi um mar de felicidade.
Não sei se eu posso ser audacioso ao ponto de dizer que ele também me trouxe um mar de felicidade, mas, se não o fez, aproximou aquela tigelinha em que bebia água, que mesmo não sendo suficiente para me alegrar para o resto da minha vida, posso dizer que passei alguns dos momentos mais gostosos da minha vida.
Eu sei que eu fui amado, porque ele não tinha nenhuma outra opção. Ele simplesmente amou, porque era isso que se esperava dele. Sem dúvidas, o melhor amigo que eu já tive.
Espero que exista um lugar melhor para você, meu filho, porque você merece.


15:44
Wellington Rafael
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