Consegui esse livro pelo Trocando Livros. Me apaixonei, não vou passar para frente de jeito nenhum. O Mario Prata conta uma pequena história de cada nome da sua agenda. É uma delícia.
Vou publicar uma das histórias porque achei que ela tinha a ver com o que eu andei falando aqui nos últimos posts.
Se você gostar, procure-o em um sebo (ele está esgotado no fornecedor, segundo a Livraria Cultura). Vale muito o prazer.
DANIEL FUNES, escritor (São Paulo, 1997)
-- O meu humor é parecido com o seu!
Então tá, hein? Na minha vida de modesto escritor do presente, nada me dá mais trabalho do que leitores a me pedirem opinião sobre o que escrevem. Calhamaços caem sobre a minha cabeça e meu saco. Você não pode imaginar a quantidade de gente que tem por aí achando que sabe escrever.
E esse cara, surgindo sabe-se lá de onde, teve a cara-de-pau de descolar o meu telefone que não consta na lista.
Ao dizer o nome do livro (“Bawakawa”) tive a clara convicção que vinha mais merda. Uma pessoa normal não escreveria um livro com esse nome. Nem uma anormal. Deixou na portaria. Da portaria veio para o canto da minha mesa de trabalho. Eu ficava olhando para ele. E ele: me lê, me lê. Bato os olhos. Uns desenhos parecidos com o Carlos Zéfiro.
E o doido a insistir: já leu, já leu?
Meu filho Antonio, 20 anos, bate o olho:
-- Esse cara é mais doido que você, pá!
Resumindo: esse filho da mãe é mesmo um danadinho. Comecei a ler o livro e, numa golfada só, fui até o fim.
Ele tinha razão: o humor dele parece com o meu. Meu filho tinha razão: ele é mais doido do que eu. Não sei qual é a vantagem de ser mais doido do que eu, mas é.
O problema é que eu não consigo ser mais doido do que eu mesmo. Ele consegue. Ainda bem. A espécie está conservada e em excelentes mãos, já que cabeça ele não deve ter há muito tempo.
Prata, Mário. Minhas mulheres e meus homens. Rio de Janeiro. Editora Objetiva, 1999. p.65


13:16
Wellington Rafael
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