Eu fui a um workshop sobre Narrativa Literária quinta-feira passada. Em um momento, a instrutora comentou sobre um autor que alternava entre narrador em primeira pessoa (“Eu caminhei até ela…”) e terceira pessoa (“Ele caminhou até ela…”). Uma das espectadoras, pediu licença para falar e começou:
-- Ah… eu faço muito isso. Começo falando como se fosse eu e depois troco para ele. Achei que eu era a única, achei que eu estivesse fazendo errado.
A instrutora, que estava a puxar o saco de todos para que comprássemos o livro que ela lançaria, fez cara de boba e respondeu:
-- Nooossa, que legal! Não, não é todo mundo que faz. Muito legal mesmo… e blá blá blá.
1°: Se algum dia alguém que faz isso ler esse texto, saiba que é errado fazer isso.
2°: O escritor que ela citou é transgressor, enquanto a moça da plateia cometeu apenas um erro (muito grave para quem tem a pretensão de se tornar escritor).
É dai que eu começo a falar. Transgredir é conhecer a regra e repudiá-la, se recusar a aceitá-la. Errar é desconhecê-la, ignorá-la.
Se eu me recusar a utilizar a nova ortografia, eu tenho que conhecê-la e ter motivos para não querer adotá-la. É diferente eu escrever “idéia” com acento porque eu não concordo em retirá-lo de eu fazer a mesma coisa por desconhecer a nova regra.
Isso não é válido só para Literatura. Não votar por não se sentir representado é diferente de não votar por preguiça de ir até a escola votar. Existe mais um milhão de exemplos.
O erro é cometido por uma pessoa alienada, ignorante. A transgressão vem de alguém ativo, contestador.
Achei importante falar disso para as pessoas não se confundirem na hora de agir de uma determinada maneira, como a moça do workshop. É importante também para que nós não confiemos em absolutamente tudo que algumas pessoas dizem, como a instrutora.
É isso. Gente que fala besteira me dá vontade de corrigir. Tendo o feito, vou eleger um novo assunto para a semana. Acho que chega de falar de Literatura.


09:47
Wellington Rafael
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