Acabou de morrer, no Rio, a mãe do Chico Buarque.
O Mario Prata, no seu livro "Minhas Mulheres e Meus Homens", escrever uma passagem sobre ela:
MARIA AMÉLIA CESÁRIO ALVIM BUARQUE DE HOLLANDA, do lar da Buri (São Paulo, 1972)
Foi na festa de 70 anos do marido, o professor Sérgio, que ela me achou na cozinha, atrás de gelo. Sempre me chamou de Mario Prata.
-- Mario Prata, eu tenho percebido que o Chico tem andado muito com você e então eu queria te pedir um favor. Uma ajuda.
Fiquei curiosíssimo em que ajuda poderia ser essa. Na época, o Chico estava no auge da carreira e eu me orgulhava daquele papo com a mãe dele na cozinha.
-- Pois não, dona Maria Amélia.
Ela balançou o corpinha de cachaça e me falou, séria:
-- Fala pra ele terminar a faculdade de Arquitetura, fala. Ele era tão bom aluno de hidráulica.
Dois anos antes, o Chico havia feito "Apesar de você" que tinha passado pela censura, até que um gênio da Folha insinuou que a música tinha sido feita para o Médici. Foi proibida.
As rádios não podiam mais tocar, o Chico não podia mais cantar em show. Mas o público cantava.
Aí, os militares proibiram o público de cantar. O Chico não podia nem solar no violão.
E, num show, o público começa a pedir, a implorar. O Chico nada. Fazia que não era com ele.
Foi quando a dona Maria Amélia se levantou no meio da plateia:
- Meu filho, seja homem! Canta!
No dia seguinte ele estava na polícia dando explicações, apesar de você:
O militar:
-- Quem é o VOCÊ?
-- É uma mulher mandona, muito autoritária!
Agora, outro dia, depois de anos, encontro com a dona Maria Amélia. Queria falar deste livro e pedir a sua autorização para este verbete:
-- Dona Maria Amélia, estou escrevendo um livro que se chama "Minhas mulheres e meus homens" e...
-- Eu sei. É sobre seus filhos e suas filhas.
-- Não, dona Maria Amélia, é...
Ela riu da minha cara:
-- É uma caçoada, Mario Prata...
Eu tinha me esquecido do pique dela.


16:07
Wellington Rafael
1 comentários:
:D maravilhoso
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