Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

25.7.10

Jean Charles, o filme

Sinceramente, eu esperava muito mais. Uma história verídica, com tanta coisa a ser contada, esbarra em um roteiro ruim e uma direção fria.

Fica evidente que Henrique Goldman, roteirista e diretor, só encontra um caminho mais agradável para o filme depois de mais de 50 minutos já passados.

O início do filme se compõe apenas de cumprimentos “E aí?” é o que mais se ouve. Diálogos fragmentados, cenas curtas irrlevantes para o enredo (que demora a aparecer) ajudam o filme a se tornar chato e tão profundo quando um pires. O filme se propõea discutir questões sérias, mas as aborda com a mesma visão que uma criança teria.

As atuações são deprimentes, muitos não são atores de fato. O sotaque incomoda o tempo todo, seja o caipira forçado ou o extremamente sujo dos brasileiros falando inglês. A captação do áudio também é muito falha, às vezes as vozes se embaralham e é impossível distingui-las. A sonoplastia exagera às vezes, chegando a incomodar.

O plano é sempre aberto demais e a câmera se posiciona muito longe dos atores, fazendo com que o filme pareça frio demais. Por vezes, o diretor explora o recurso da câmera na mão, tornando o filme ainda mais difícil de engolir.

Selton Mello tem uma interpretação insuportável, chata e arrogante como sempre. Vanessa Giácomo é a única que mostra o que é uma boa atuação e se destaca mesmo com um roteiro ingrato.

O ROTEIRO

Qualquer filme que se propõe a contar uma história real tem um pouco de documentário. Por isso seria aceitável e até recomendada a temida narração, porque ela dá verossimilhança à obra. A narradora no caso seria Vivian, personagem de Vanessa Giácomo, o que diminuiria a frieza do roteiro e até tornaria menos estranha a intensa presença dela em um filme sobre o primo.

O filme explora demais o terrorismo e de maneira errada. Inserções de notícias são feitas diretamente na tela, como se a notícia estivesse sendo transmitida ao vivo diretamente para o espectador do filme.

O roteiro até tenta ser engraçado em alguns momentos, mas resulta bobo e constrangedor, como quando Vivian encontra um amigo que virou homossexual, e posteriormente quando ele fornece explicações sobre um lubrificante vendido na sex shop em que trabalha.

O clímax do filme – a morte do jovem brasileiro – é sem graça. Falta emoção, ação e um pouco mais de explicações sobre o que de fato aconteceu, o porquê de ele ter sido confundido com um terrorista e destacar mais os agentes que o vigiaram.

O filme é fraco, mas vale a pena ver. Vale mais a pena ainda se você encontrar o documentário feito pela BBC e exibido no Repórter Record sobre o caso.

0 comentários:

Postar um comentário

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Blogger Templates