Nos últimos anos da tevê, poucos lançamentos causaram tanto rebuliço quanto os trabalhos do diretor Luiz Fernando de Carvalho. É claro que a agitação veio da crítica, já que a audiência nunca manifestou especial interesse nos seus trabalhos, fato que nunca incomodou a produção dos seriados nem os executivos da emissora, que disseram ter esperado os resultados atingidos por serem obras essencialmente artísticas.
Hoje é dia de Maria, A Pedra do Reino, Capitu e Afinal, o que querem as mulheres? são as tais obras de que estou falando. Com certeza, todas têm um toque artístico muito forte; mas um tipo de arte rebuscado, os roteiros são confusos, alineares. Talvez o conceito de produção audiovisual artística seja um pouco destorcido na mente de alguns figurões da tevê.
Entre os dias 11 e 15 de janeiro, exatamente um mês após a estreia de Afinal, a Rede Globo estreiou a microssérie Amor em 4 atos, composta de quatro episódios baseados nas músicas “Construção”, “Ela faz cinema”, “Mil Perdões”, “Folhetim” e “As Vitrines”, de Chico Buarque. O surpreendente nessa produção, entretanto, foi a densidade artística, que, diferente de Afinal, soa despretensiosa. A pegada do seriado, que teve direção de núcleo de Roberto Talma, é digna do cinema de melhor qualidade. Já as obras de Luiz Fernando soam como aquelas que se auto-intitulam cult.
Uma curiosidade muito interessante sobre Amor é que os episódios dialogam muito bem com o cenário paulista, mesmo que Chico seja um carioca apaixonado. Aí está mais um ponto a se comparar entre as minisséries. Enquanto a de Luíz se propõe a incorporar Copacabana como personagem e não o faz de fato, Amor em 4 atos faz com que São Paulo seja, quase sem perceber, um dos mais importantes fatores de boa realização da minissérie.
Interessante também foi o primeiro capítulo da nova novela das 21h, Insensato Coração, que também mostrou um cuidado cinematográfico da direção (que se perdeu nos capítulos seguintes, como não poderia deixar de ser).
A Rede Record também tem divulgado as suas minisséries Sansão e Dalila e A História de Esther como obras muito bem trabalhadas artisticamente. Confesso que não as acompanhei, mas a opinião geral é a de que ambas possuem seus altos e baixos.
O principal ponto é o de que a tevê brasileira está incorporando cada vez mais fatores artísticos à sua programação. Enquadramentos diferentes, cenáros, figurinos, maquiagem com mais cuidados, trilha sonora que ajuda a contar a história são elementos de que a dramaturgia está se apoderando para sobreviver à guerra por audiência, que se acirra cada vez mais. É bom ressaltar que há grande participação de uma nova lei que facilita a entrada de produções externas nas telas das grandes emissoras. No final das contas, nós somos os grandes ganhadores.
Outras produções recentes que merecem destaque: Som & Fúria (Globo), Antônia (Globo), Junto e misturado (Globo), Decamerão – a comédia do sexo (Globo), Toma lá dá cá (Globo), Aline(Globo), As Cariocas (Globo), Programa Piloto (Globo), A Vida Alheia (Globo), Clandestinos – o sonho começou (Globo), Seperação?! (Globo), Avassladoras (Record), Comédia MTV (MTV), 12 Mulheres (Documentário - Record), Alice (HBO).


10:37
Wellington Rafael
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