Assunto mais importante da semana, presente em todos os noticiários: crise no Egito. O problema é que, no meio do turbilhão de notícias, fica um pouco complicado entender exatamente o que está acontecendo e como tudo começou. A @Rosana deu as dicas, e eu, agora, monto tudo em um texto para facilitar as coisas.
O ESTADO
O Egito é um estado independente localizado no norte da África, em posição estratégica, pois liga esse continente à Ásia (mais especificamente o Oriente Médio). O governo segue o modelo de república semi-presidencialista, em que um presidente é eleito, torna-se o chefe de Estado e escolhe os membros do ministério, inclusive o primeiro-ministro (chefe de Governo). O atual presidente do Egito, Mohamed Hosni Mubarak, assumiu o poder em outubro de 1981 e continua no cargo até hoje; assim como outros governantes da região, que estão no posto há mais de duas décadas. O atual governo é apoiado pelo Ocidente (leia-se: EUA e Europa) e é um dos únicos da região a reconhecer o Estado de Israel.
AS ORIGENS DA REVOLUÇÃO
A crise se iniciou por influência de outros movimentos que estão acontecendo no mundo árabe. Tudo começou na Tunísia, com a chamada Revolução do Jasmim, que derrubou, uma semana antes do conflito estourar no Egito, o Presidente da Tunísia, Ben Ali. Outros países em que também ocorreram manifestações: Mauritânia, Argélia, Sudão, Iêmen, Omã e Jordânia.
Fotonovela Grito de Liberdade, Explicando direitinho toda a revolução e as consequências.
O CONFLITO NO EGITO
O povo se revoltou contra o presidente, que está no poder há quase 30 anos, e começou a fazer manifestações na rua (divulgadas pela internet). Para acalmar os ânimos, Mubarak demitiu todo o atual ministério, mas essa medida não surtiu efeitos. As manifestações continuaram e o exército foi colocado nas ruas para conter a população. Os provedores de internet foram forçados a se desligarem (o único que continua ativo é o que alimenta a Bolsa de Valores) e a rede de TV Al-Jazeera foi proibida de funcionar em território egípcio, por transmitir imagens das manifestações.
Egito proíbe a rede de TV Al-Jazeera de operar em seu território, G1.
Correspondente acompanha os protestos em tempo real, Estado de São Paulo.
A ORDEM MUNDIAL
O Egito foi uma das primeiras localidades em que uma sociedade se desenvolveu. A civilização criou religião, cultura, modo de governo e técnicas agrícolas próprias. Foi o centro do mundo. Hoje, o cenário político mundial está, é claro, completamente diferente e, apesar de os estudiosos propagarem que há diversos polos de influência internacional, os Estados Unidos da América se destacam como a maior potência mundial.
Essa hegemonia começou com a sua independência, que moldou os processos de independência e instauração de governos democráticos em todo o continente americano e a Revolução Francesa (que marca o início da história contemporânea). O juramento à bandeira norte-americana proclama o país como símbolo de uma nação com “liberdade e justiça para todos”.
Esses mesmos Estados Unidos declararam Julian Assange (o fundador do Wikileaks, que divulgava documentos do governo) como seu inimigo número 2, só perdendo em prioridade de captura para Osama Bin-Laden. Esse Estado aí também é financiador das Ditaduras do Oriente, o Egito entre elas.
Como disse ontem o @Bruno_Machado, não é surpresa para ninguém que os EUA sejam hipócritas e moralistas, ainda que a sua própria propaganda contrarie o que suas ações mostram.
Resta torcer para que a paz volte ao Egito, seja lá qual for a saída encontrada. No momento, o líder da oposição e ganhador do Prêmio Nobel da Paz é o porta-voz da revolução e encarregado de negociar com o regime de Mubarak.
Para se manter bem informado: @ladyrasta, @nolanjazeera e @MarcosTourinho.


10:20
Wellington Rafael
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